O recomeço de uma rapariga em Magude
Comunicação Riso Alegre
Publicado em 18 de Maio, 2026 • 6 min de leitura
O sol ainda não tinha nascido completamente quando encontrámos Maria (nome fictício), sentada à entrada da sua pequena banca de hortaliças. Durante anos, Maria vendeu o que cultivava sem nunca saber ao certo se o troco que dava estava correto.
O medo de ser enganada era um peso constante nas suas costas, tão pesado quanto os cestos que carregava. A cada venda, uma dúvida silenciosa: terei calculado bem? Esta incerteza acompanhava-a há mais de quinze anos de trabalho no mercado local.
Foi através do programa de alfabetização funcional da Associação Riso Alegre que Maria encontrou não apenas as letras e os números, mas a confiança que nunca soube que precisava. O programa, financiado por doadores que acreditam na dignidade de cada ser humano, chegou à sua aldeia há pouco mais de oito meses.
Eu sentia-me cega, mesmo tendo olhos. Agora, as letras e os números dizem-me a verdade sobre o meu trabalho.
Maria, 38 anos — Beneficiária do programa
A Transformação no Terreno
Através do apoio dos nossos doadores, conseguimos implementar o centro de alfabetização funcional a apenas 15 minutos da aldeia de Maria. Lá, ela e outras 40 mulheres aprendem não apenas a ler, mas a gerir o seu dinheiro, a calcular lucros e a planear o futuro das suas famílias.
O método aplicado é inteiramente contextualizado: as lições usam o preço das sementes, o cálculo das colheitas e as tabelas de preços dos mercados locais como ponto de partida. Aprender a ler não começa com um abecedário genérico — começa com os nomes das plantas que Maria cultiva.
Sessões de formação realizadas na aldeia. As aulas decorrem três vezes por semana.
O Que Vem a Seguir
Este é apenas o começo. A nossa meta para 2026 é expandir este modelo para mais três distritos da Província de Gaza, garantindo que o "recomeço" de Maria se torne a realidade de centenas de outras mulheres.
Para isso, precisamos de mais apoios. Cada contribuição, independentemente do valor, financia horas de formação, materiais didácticos e o salário dos formadores locais — pessoas da própria comunidade que conhecem a realidade de quem ensinam.